quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Resenha de "Suspeitas de um mistério" no Diário de uma Quase-Escritora

LINK ORIGINAL: AQUI.

Sabe a autopublicação e o incentivo aos autores nacionais? Sem eles, este livro jamais teria saído da gaveta. Escrito por um jovem para jovens, este suspense adolescente tem uma excelente proposta... E se perde no caminho.
Os irmãos adolescentes Pedro e Saulo (só no final ficamos sabendo que eles têm 13 anos) adoram fingir que são espiões. Essa brincadeira tem a chance de se tornar realidade quando eles vão para a fazenda Santos Galdino, propriedade da tia deles, Daura. Ela é casada com Fernando, um homem que está estranho ultimamente, talvez por a fazenda não estar mais dando lucro. É o comportamento suspeito de Fernando que desperta a curiosidade dos meninos, e eles acabam se envolvendo em uma perigosa trama.


Ótimo. O mistério em si é muito criativo e nos causa grande surpresa. Mas a trilha até ele é penosa: assim como em um filme da Shirley Temple, tudo acontece para beneficiar os protagonistas, que estão sempre no lugar certo, na hora certa, seja este lugar o bananal ou Boston. E, assim como um filme da Shirley Temple, a história só existe para entreter, mas, ao contrário do filme, está recheada de erros crassos.
Erros de gramática em especial. Mesmo que a editora ofereça uma revisão (o que claramente não foi o caso aqui), autor nenhum pode sair por aí escrevendo “sínico”, “em baixo” e confundindo os vários “porquês”. Outro problema da falta de revisão é a péssima diagramação, com travessões fora de lugar.
Alguns resenhistas reclamaram da viagem à Boston que há no meio do livro. Meu grande problema com este episódio é a questão do tempo: como dois pacientes brasileiros chegam a uma cidade americana e conseguem uma consulta na hora? E como o tratamento é descrito sendo feito em um dia, e no dia seguinte se diz que os personagens ficaram uma semana na cidade?
Não posso negar que a “embalagem” é bonita. A capa é bem-feita e desperta a curiosidade do leitor. O título, entretanto, não é muito convidativo (tenho uma história de amor e ódio com títulos), pois parece formado de palavras jogadas ao léu, escolhidas por lembrarem o tema do suspense.

Volto a dizer que a ideia é boa. A editora Multifoco não fez seu trabalho de entregar um produto sem erros. O autor, por sua vez, apesar de demonstrar familiaridade com o tema campestre e ideias criativas, tem um ponto para trabalhar: amadurecer melhor suas próximas histórias.


Autora da resenha: Letícia Magalhães. 

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